quinta-feira, 30 de junho de 2011

poesia, acreditar e mudar o rumo das coisas. combinação perfeita?

Súplica - Miguel Torga

Agora que o silêncio é um mar sem ondas, 
E que nele posso navegar sem rumo, 
Não respondas 
Às urgentes perguntas 
Que te fiz. 
Deixa-me ser feliz 
Assim, 
Já tão longe de ti como de mim. 

Perde-se a vida a desejá-la tanto. 
Só soubemos sofrer, enquanto 
O nosso amor 
Durou. 
Mas o tempo passou, 
Há calmaria... 
Não perturbes a paz que me foi dada. 
Ouvir de novo a tua voz seria 
Matar a sede com água salgada.





e sim, adoro poesia. adora sentir as palavras a entrar em mim, a percorrerem cada canto de mim e a encherem-me a alma. é nela que encontro respostas que nunca pensaria encontrar, é nela que me escondo quando não quero mais ver o mundo. é estranho, escondo-me naquilo que é suposto ser criado para a comunicação de sentimentos, para a partilha, para o plural. Hoje faz imenso calor e eu estou congelada. Peguei neste poema e li, li vezes sem conta até quase o saber de cór e, acredites ou não, eu sinto que ajuda.  sinto que ao menos a minha cabeça fica preenchida com algo concreto, com algo bom, algo bem escrito, uma partilha, um sentimento profundo, uma dor tal e qual a que sinto agora. São precisos actos fortes e tão rígidos quanto uma linha recta que cruza o horizonte para se ser feliz. eu tenho de ser forte e rígida, conseguirei sem ti ? conseguirei, eu sei que sim, eu sinto que sim.


ser capaz de mudar o rumo das coisas é ser mais forte que o mundo. o mundo é pequenino.

Sem comentários:

Enviar um comentário