Todos nós procuramos a dor, negamos esta evidência mas todos acabamos por cair nela como peixes numa rede de pesca. Procuramos a felicidade mas quando damos por nós estamos percorrendo o caminho mais difícil para a obter, presos a rios de problemas que continuamos a percorrer, por mais que nos magoe tal percurso. Esta ideia leva-nos a pensar que somos sádicos. bem, eu diria que apenas não sabemos fazer boas escolhas. ansiamos chegar à outra margem e corremos contra a maré, morremos de cansaço, stress, nervos e a felicidade passa para a última prioridade. Em vez disto, podiamos descer o rio e ver como a vida lá é linda, podiamos ver que os peixes tem um mapa inseridos no cérebro deles, que o seguem sem questionar, nem seres livres são, mas mesmo assim percorrem distâncias, conhecem o mundo, apreciam a vida que lhes resta até ao fim. e nós humanos? temos a capacidade de escolha, a capacidade de pensar e tomar decisões e a única coisa que fazemos é procurar a dor. procuramo-la como se fosse algo bastante comum, e averdade é que fazemos dela algo comum. O bom de sentir a dor passa pela satisfação da chegada ao destino pretendido. mas aqui eu digo e sublinho: somos pessoas com capacidades e em vez de percorrermos os caminhos simples da vida complicamos até não mais podermos, logo, somos uns autênticos imbecis. Temos cérebro e não o usamos, então para que é o temos?
Possivelmente quando estás gorda a primeira coisa que fazes é trancar o frigorífico, não te olhar ao espelho, não gostares de ti, mas olha um pouco de exercício e vontade de mudança resulta. para quê sofrermos quando existe uma solução mais prática? porque é que insistimos em percorrer a angústia?
Quando alguém morre vestimos-nos de preto e choramos rios de lágrimas, a dor consome-nos e na maioria das vezes transformamos-nos em seres frios e sem vontade de continuar. mas porquê? é um ser humano que devia ter sido valorizado em vida, devias ter pegado na mão dele e ver como o cheira da terra molhada te consegue entrar pelas narinas e percorrer cada brônquio dos teus pulmões, devias pegar nele e levá-lo até ao mar e veres como é tão forte e poderoso e não depende de ninguém, não chora por ninguém. devias ter pegado nele e partilhado o quão brilhante é o sol cada vez que te deitas na relva e o enfrentas. Devias te pegado nele e aproveitado cada segundo pois as lágrimas que deixas cair agora não te vão fazer voltar atrás.
Quando amas alguém e as coisas correm mal, deitas-te na cama, olhas para o candeeiro que ilumina o tecto e dizes para ti: eu vou esquecer-te, vou tirar-te do meu mundo, porque tu não mereces. não é mais simples pegares em todos os momentos e aproveitares tudo, nunca esquecendo de ires espreitando cá para dentro e ires vendo que a cada dia que passa o teu grande amor está a ser dissolvido por ti, pela tua simplicidade e pela tua boa escolha de vida.
Quando atravessares o rio e chegares à margem, vais ficar duplamente satisfeito: chegas-te ao teu objectivo e até cá chegares não pensas-te uma única vez em dor, ocupas-te o teu tempo a apreciar cada passo teu e como os peixes se envolviam contigo de uma forma espantosa.

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