Eu ali estava, quieta. Acreditava que se não me mexe-se o medo não daria pela minha presença. acreditava que depois do medo dar por mim, o resto dos sentimentos viria e eu já estava cansada de tanta turbulência..
A porta do café abriu-se, e eu continuava quieta. Continuava a ver o pôr-do-sol a transparecer por aquela grande vitrina que se encontrava mesmo ali, de baixo dos meus olhos. Era tão bom ver aquilo ali, sem ninguém ao meu lado. Simbolizava a capacidade de sentir tudo cá dentro, sem ter de o partilhar com ninguém. O silêncio era o meu único companheiro.
De repente tu chegas-te, sentaste-te. eu estava renitente, sem vontade de te ter ali mas, aos poucos mostraste-me que os sentimentos partilhados são mais facilmente controlados, mais facilmente digeridos. o pôr-do-sol deixou de ser o foco da minha atenção por uns instantes.. eras tu que ali estavas quando eu gritei que não queria ali ninguém, merecias a minha atenção. o tempo passou e foi naquela mesa de café que nos encontrámos variadíssimas vezes. Escondeste-me tudo mas mostraste-me o todo..
Hoje estou aqui e tu não apareces-te mais. Hoje eu olho para a porta com a esperança que venhas. Com tantos movimentos o medo deu por mim, e tu não estás cá para partilhar sentimentos e torná-los mais simples.
Mas...
Onde estás tu agora?

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